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Solda na obra: a NR-18 exige análise de risco específica em dois casos — e é dela que sai o observador

O item 18.7.6.2 diz quando o trabalho a quente pede análise própria; o 18.7.6.3 diz que o observador existe quando essa análise o define. Nenhum dos dois fixa raio nem tempo.

·5 min de leitura·NR-18 · NR-34 · NR-20 · NR-33

Na obra, a solda de um guarda-corpo e o corte de uma viga costumam ser tratados de dois jeitos opostos: ou sem papel nenhum, ou com um formulário padrão que exige vigia, raio de isolamento e prazo de vigilância para qualquer faísca. O capítulo de trabalho a quente da NR-18 não segue nenhum dos dois. Ele separa o que vale sempre do que só vale quando o local pede — e deixa para a análise de risco escrever os números.

o que a norma chama de trabalho a quente

Para fins desta NR, considera-se trabalho a quente as atividades de soldagem, goivagem, esmerilhamento, corte ou outras que possam gerar fontes de ignição, tais como aquecimento, centelha ou chama.
NR-18, item 18.7.6.1

A definição é pela fonte de ignição, não pela ferramenta. Esmerilhadeira entra, porque gera centelha. Maçarico de aquecimento para dobrar tubo entra, porque gera chama. É por isso que a pergunta "é solda?" não resolve nada: a pergunta útil é "isso pode acender alguma coisa?".

os dois gatilhos da análise específica

Deve ser elaborada análise de risco específica para trabalhos a quente quando: a) houver materiais combustíveis ou inflamáveis no entorno; b) for realizado em área sem prévio isolamento e não destinada para este fim.
NR-18, item 18.7.6.2

São dois gatilhos independentes. O primeiro é o entorno: madeira de fôrma, lona, embalagem, tinta, diluente, isolamento térmico. O segundo junta duas condições com um "e": a área não foi isolada antes e não é destinada a trabalho a quente. A bancada de solda da oficina do canteiro, fechada e destinada a isso, sem combustível em volta, não aciona nenhum dos dois. A solda do corrimão no quarto andar, com a equipe de acabamento trabalhando ao lado, aciona os dois.

A palavra que pesa é específica. Uma análise genérica de "trabalho a quente", impressa uma vez e anexada a toda liberação, não responde ao item: o que a torna obrigatória é justamente o entorno daquele local, e é isso que ela precisa descrever.

o que vale sempre, com ou sem análise

Duas obrigações do capítulo não dependem de gatilho nenhum. A inspeção preliminar do local e das áreas adjacentes, para confirmar que estão limpos, secos e sem combustível, inflamável, tóxico ou contaminante, e que não há atividade incompatível em andamento (18.7.6.5). E as medidas contra incêndio: controlar os riscos, proteger contra fagulha, respingo e calor sem interferir em atividades paralelas, manter o sistema de combate desobstruído e próximo e inspecionar o local ao terminar (18.7.6.6).

o observador nasce da análise

Quando definido na análise de risco, deve haver um trabalhador observador para exercer a vigilância da atividade de trabalho a quente até a conclusão do serviço.
NR-18, item 18.7.6.3

O item amarra o observador à análise: é ela que decide se ele existe. Onde decidir que sim, a norma diz duas coisas sobre ele — que vigia até a conclusão do serviço e que precisa ser capacitado em prevenção e combate a incêndio (18.7.6.4). O que o capítulo não diz é quanto tempo a vigilância continua depois que o arco apaga. Esse número, quando existir, tem de estar escrito na análise, junto com a razão dele — e a inspeção do local ao término, do 18.7.6.6, alínea "d", acontece de qualquer forma.

O mesmo vale para o raio de isolamento. Nenhuma NR fixa em metros a área a ser liberada em volta do trabalho a quente. Quando o formulário traz um número pronto, ele pode até ser um bom critério — mas é critério da empresa, e precisa ser justificado para aquele local, não atribuído à norma.

o que muda no estaleiro

Na indústria naval, a NR-34 é mais prescritiva. Manda empregar técnicas de APR para determinar as medidas de controle, definir o raio de abrangência, sinalizar e isolar a área e avaliar a necessidade de observador e de alarme (34.5.7). O resultado da inspeção do local é registrado na permissão de trabalho (34.5.8), e o observador, quando a APR o definir, permanece no local em contato permanente com as frentes (34.5.10).

quando outra norma entra junto

  • Área sujeita a atmosfera inflamável: o trabalho com equipamento que gere chama, calor ou centelha só entra com permissão de trabalho (NR-20, item 20.13.3).
  • Espaço confinado: medidas para eliminar ou controlar incêndio e explosão no trabalho a quente (NR-33, item 33.5.1), com a entrada precedida da permissão própria; e cilindro de gás não entra no ambiente confinado (NR-18, item 18.7.6.16).
  • Vasilhame, recipiente ou tanque que gere gases: medidas preventivas adicionais contra explosão e intoxicação são obrigatórias (NR-18, item 18.7.6.17).

O que escrever na análise para ela sustentar a decisão

Qual gatilho do 18.7.6.2 foi acionado, e por quê. O que havia no entorno e o que foi removido ou protegido. Se haverá observador, quem é e onde está a prova da capacitação. Até onde vai a área isolada e qual o critério. Por quanto tempo o local será vigiado depois do término. E quem inspecionou o local ao final. Cada uma dessas linhas responde a um item do capítulo — e é o que torna a análise conferível por quem não estava lá.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Calor ocupacional: avaliar, agir e o que não gera adicional

Guia técnico · NR-9 (Anexo III), NR-15 e NR-21 · 17 páginas · PDF

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