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Masseira e cilindro de padaria: que proteções a NR-12 exige

O Anexo VI da NR-12 escreve para a amassadeira e o cilindro sovador: grade intertravada, tempo de parada, botões, chapa do vão e bloqueio da inversão de giro. Tudo se confere em minutos.

·6 min de leitura·NR-12

Masseira e cilindro são as duas máquinas que definem a segurança de uma padaria. A masseira — que o Anexo VI da NR-12 chama de amassadeira espiral — prende e esmaga pela rotação do batedor. O cilindro sovador puxa a mão para o vão entre dois rolos que giram em sentidos opostos. Para as duas, a norma não deixa a proteção a critério de ninguém: o item 1.5 do anexo declara que os sistemas descritos para cada máquina já são resultado da apreciação de risco.

na masseira, a classe vem primeiro

O item 2.1 divide as amassadeiras pelo volume da bacia: classe 1, de 13 litros a menos de 70; classe 2, de 70 litros ou mais. A de menos de 13 litros certificada pelo INMETRO fica excluída da aplicação da NR. Sem saber o volume, não se sabe quantos botões de emergência a máquina precisa — então a primeira anotação da inspeção é a etiqueta da bacia.

a grade do batedor

O acesso à zona do batedor deve ser impedido por meio de proteção móvel intertravada por, no mínimo, um dispositivo de intertravamento com duplo canal, monitorada por interface de segurança classificada como categoria 3 ou superior, conforme item 12.5 - Sistemas de Segurança e seus subitens.
NR-12, Anexo VI, item 2.2

Três exigências numa frase. A proteção é móvel e intertravada: abrir a grade interrompe o movimento. O dispositivo tem duplo canal. E o monitoramento é por interface de categoria 3 ou superior. Se o intertravamento for mecânico, o item 2.5 pede dois dispositivos por proteção. O mesmo tratamento vale para a zona entre a bacia e os roletes de apoio, quando houver, e para elementos de fixação salientes da bacia (itens 2.3 e 2.4), que podem ter proteção fixa.

Como conferir: com a bacia vazia e a máquina ligada, abra a grade. O batedor tem de parar. Depois, procure o que anula a proteção sem tirá-la do lugar: ímã colado no sensor, fita, calço, arame. É o defeito mais comum da padaria.

dois segundos, ou dois e meio

O item 2.6 pede que a amassadeira cesse os movimentos perigosos em no máximo dois segundos quando a proteção móvel é acionada com a bacia vazia. Se não parar nesse tempo, a alternativa é a da alínea "b" do 12.5.6: intertravamento com bloqueio, que não deixa abrir antes de o risco cessar. Para a máquina já instalada, o item 2.6.1 aceita até 2,5 segundos em função do desgaste natural dos componentes. Como conferir: cronômetro do celular, três aberturas, anote a maior.

os botões de emergência

O item 2.7 é direto: amassadeira classe 1 tem um botão de parada de emergência; classe 2, no mínimo dois. O item 2.7.1 permite monitorar o intertravamento e os botões pela mesma interface de categoria 3, ou ligar os botões de modo a cortar a alimentação dessa interface. Como conferir: aperte cada botão com a máquina em movimento; ela para, e só volta com um gesto de rearme — nunca ao soltar o botão.

o cilindro sovador

O item 4.1.1 descreve a máquina: dois cilindros paralelos tracionados girando em sentido inverso, mesa baixa, prancha de extensão traseira, motor e polias. As proteções seguem essa anatomia.

ProteçãoComo conferirItem do Anexo VI
Distâncias mínimas de segurança da figura 2, com tolerância de 25 mmTrena nas medidas do desenho da norma4.3
Chapa de fechamento do vão entre rolete obstrutivo e cilindro superior, móvel e intertravada (duplo canal, categoria 3)Levantar a chapa com o cilindro girando: tem de parar4.4
Acesso ao vão só com o cilindro parado por frenagemAo abrir a chapa, a parada é imediata, sem giro residual4.4.2
Inversão do sentido de giro impedida, na ligação trifásicaConferir o sistema que impede a troca de fases ou de sentido4.5
Dois botões de parada de emergênciaApertar os dois com a máquina em movimento4.6

A inversão de giro merece atenção à parte: com os cilindros girando ao contrário, a máquina deixa de levar a massa para o vão da forma prevista e passa a puxar na direção de quem opera. Quando o cilindro tem esteira que conduz a massa, o item 4.2 manda aplicar as regras da modeladora, com parada em até dois segundos.

Os cilindros sovadores devem possuir dois botões de parada de emergência, conforme item 12.6 - Dispositivos de parada de emergência e seus subitens.
NR-12, Anexo VI, item 4.6

o que vale para as duas

  • O circuito de partida e parada do motor segue os subitens 12.4.14 e 12.4.14.1 da parte geral (Anexo VI, item 1.6).
  • A máquina não pode voltar a funcionar sozinha quando a energia é restabelecida (12.4.2). Teste desligando e religando o disjuntor com a máquina ligada.
  • Limpeza e raspagem da massa são intervenções: máquina parada e energia isolada, com bloqueio e etiqueta (12.11.3).
  • Quem opera e limpa recebe capacitação antes de assumir a função, sem ônus e na jornada (12.16.3).
  • Máquina de microempresa ou empresa de pequeno porte, fabricada antes de 24/06/2012 e sem manual, ganha a ficha de informação do 12.13.5.3.

A luva não é proteção de masseira nem de cilindro

Em máquina com batedor ou rolos, a luva pode ser arrastada junto com a mão. O Anexo VI protege a zona de perigo com grade, chapa, distância e intertravamento — e nenhuma luva substitui qualquer um desses itens.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Eletricidade: autorização, prontuário e desenergização

Guia técnico · NR-10 · 20 páginas · PDF

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