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O Plano de Demolição tem oito itens obrigatórios, e metade deles trata do que está fora do prédio que vai cair

Linhas de energia, construções vizinhas, trânsito de veículos e pessoas, controle de poeira. A norma trata a demolição como um evento de vizinhança, não como uma operação interna do canteiro.

·4 min de leitura·NR-18

A NR-18 dedica dois itens à demolição. São curtos, e a maior parte do conteúdo está nas oito alíneas de um deles. Vale ler a lista inteira antes de discutir o método de derrubada, porque ela revela como a norma enxerga o serviço.

O plano, e quem responde por ele

Deve ser elaborado e implementado Plano de Demolição, sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado, contemplando os riscos ocupacionais potencialmente existentes em todas as etapas da demolição e as medidas de prevenção a serem adotadas para preservar a segurança e a saúde dos trabalhadores.
NR-18, item 18.7.1.1

Dois verbos, não um: elaborado e implementado. Plano assinado e guardado na gaveta não cumpre o item — ele exige a implementação como parte da mesma obrigação. E o alcance é "todas as etapas", o que inclui a preparação e a remoção posterior, não só o momento da queda.

As oito alíneas

O Plano de Demolição deve considerar: a) as linhas de fornecimento de energia elétrica, água, inflamáveis líquidos e gasosos liquefeitos, substâncias tóxicas, canalizações de esgoto e de escoamento de água e outros; b) as construções vizinhas à obra; c) a remoção de materiais e entulhos; d) as aberturas existentes no piso; e) as áreas para a circulação de emergência; f) a disposição dos materiais retirados; g) a propagação e o controle de poeira; h) o trânsito de veículos e pessoas.
NR-18, item 18.7.1.2

O que a lista revela

Quatro das oito alíneas tratam do que está fora do prédio a demolir: as linhas de fornecimento que chegam até ele, as construções vizinhas, a propagação de poeira e o trânsito de veículos e pessoas. Outras duas tratam do depois: a remoção de materiais e entulhos e a disposição do que foi retirado.

Demolição, para a norma, é um evento de vizinhança

Só duas alíneas — as aberturas no piso e as áreas de circulação de emergência — descrevem o interior da estrutura durante o serviço. O peso da lista está no entorno e no rescaldo. Um plano que descreva com riqueza o método de derrubada e trate a vizinhança em uma linha inverte a ênfase da própria norma.

A alínea "a" é a mais operacional

Ela não fala em "desligar a energia". Fala em considerar as linhas de fornecimento de energia elétrica, água, inflamáveis líquidos e gasosos liquefeitos, substâncias tóxicas, canalizações de esgoto e de escoamento de água — e termina com "e outros". A lista é aberta, e cada item dela costuma ter um responsável externo diferente: concessionária, distribuidora, prefeitura.

É por isso que essa alínea tende a definir o cronograma real da demolição. O prazo do terceiro que desliga a rede é o prazo da obra.

O plano não substitui o PGR do canteiro

A obra de demolição continua sendo obra: o capítulo 18.4 segue aplicável, com o PGR e o inventário de riscos do canteiro. O Plano de Demolição é documento adicional e específico, com responsável técnico próprio — não uma versão enxuta do programa.

Poeira é alínea de plano, e também é agente

A alínea "g" põe o controle de poeira no Plano de Demolição. Isso não retira o assunto do inventário de riscos: exposição a poeira em demolição de estrutura antiga pode envolver agentes com regime próprio de caracterização. Um documento não dispensa o outro.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Canteiro de obras: o PGR que muda de etapa

Guia técnico · NR-18 · 19 páginas · PDF

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