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Instalação elétrica do canteiro: provisória no tempo, definitiva nas exigências

A NR-18 pede projeto de profissional habilitado, execução por trabalhador autorizado pela NR-10, quadro com oito requisitos e laudo das medições. Nada disso cai porque a obra é temporária.

·5 min de leitura·NR-18 · NR-10

Toda obra começa com um padrão de entrada provisório e um quadro pregado num pontalete. Depois vêm a betoneira, a serra, o elevador de materiais, a iluminação do subsolo, as extensões que sobem pela escada. A palavra "provisória" costuma servir de licença para improvisar: fio no chão, emenda com fita, quadro sem tampa que vira prateleira. A NR-18 não aceita a desculpa, e começa pela definição:

Instalações elétricas temporárias: instalações elétricas das edificações temporárias que compõem o canteiro de obras e as frentes de trabalho.
NR-18, glossário

O capítulo 18.6 vale para elas e para as definitivas: as duas atendem à NR-10 (18.6.1). O que muda é quem responde por cada etapa.

o projeto vem antes do primeiro cabo

As instalações elétricas temporárias devem ser executadas e mantidas conforme projeto elétrico elaborado por profissional legalmente habilitado.
NR-18, item 18.6.2

Esse projeto é um dos documentos que o PGR do canteiro precisa conter (18.4.3, alínea "b"), e o PGR acompanha a etapa da obra (18.4.3.1). Repare no verbo: "executadas e mantidas". Quando o quadro muda de pavimento, quando a grua chega e pede ramal próprio, quando o canteiro ganha um segundo acesso, o projeto precisa mudar junto. A NR-10 pede o mesmo por outro caminho: esquemas unifilares atualizados, com o sistema de aterramento e os dispositivos de proteção (10.2.3). Projeto de início de obra que nunca foi revisado descreve uma instalação que já não existe.

quem pode mexer

Os serviços em instalações elétricas devem ser realizados por trabalhadores autorizados conforme NR-10.
NR-18, item 18.6.3
São considerados autorizados os trabalhadores qualificados ou capacitados e os profissionais habilitados, com anuência formal da empresa.
NR-10, item 10.8.4

Autorização, portanto, é ato formal, com sistema de identificação que mostre o alcance de cada uma (10.8.5) e com o treinamento do Anexo III da NR-10 (10.8.8). Vale para o eletricista de empreiteira que entra só para ligar o elevador. Não vale para o servente que "puxa um ponto" do quadro porque sabe fazer. E, enquanto alguém não autorizado circula pelo canteiro, a regra do 18.6.4 é taxativa: parte viva exposta e acessível é proibida.

o quadro de distribuição, alínea por alínea

Os quadros de distribuição das instalações elétricas devem: a) ser dimensionados com capacidade para instalar os componentes dos circuitos elétricos que o constituem; b) ser constituídos de materiais resistentes ao calor gerado pelos componentes das instalações; c) ter as partes vivas inacessíveis e protegidas aos trabalhadores não autorizados; d) ter acesso desobstruído; e) ser instalados com espaço suficiente para a realização de serviços e operação; f) estar identificados e sinalizados quanto ao risco elétrico; g) estar em conformidade com a classe de proteção requerida; h) ter seus circuitos identificados.
NR-18, item 18.6.10

Na inspeção, isso vira perguntas simples. O quadro tem espaço para os disjuntores que estão nele, ou há fio saindo pela fresta da porta? As partes vivas ficam atrás de anteparo? Cada disjuntor diz o que alimenta — "betoneira", "serra", "elevador"? Há sinalização de risco elétrico? A frente está livre, sem saco de cimento encostado? E dentro dele não pode haver nada guardado: a NR-18 veda a guarda de quaisquer materiais ou objetos nos quadros (18.6.11).

Os dispositivos de manobra precisam ser identificados e permitir bloqueio e sinalização de impedimento de ligação (18.6.12) — é por eles que passa o seccionamento e o impedimento de reenergização da NR-10 (10.5.1). E cada ramal que alimenta equipamento precisa de seccionamento independente, fácil de acionar (18.6.13).

cabo, emenda e tomada

  • Condutores — fora da circulação, protegidos contra impacto, umidade e agentes que danifiquem a isolação, e com isolação dupla ou reforçada quando alimentam máquina móvel ou ferramenta portátil (18.6.5).
  • Emendas e derivações — com resistência mecânica, condutividade e isolação compatíveis com o uso (18.6.6). Fita isolante sobre fio torcido, no chão molhado, não atende.
  • Ligação de equipamentos — sempre por conjunto de plugue e tomada (18.6.14). Ponta de fio enfiada na tomada é irregular.
  • Ferramenta portátil — é proibida sem duplo isolamento (18.10.2.7).

aterramento, DR e o laudo que quase ninguém pede

As instalações elétricas devem possuir sistema de aterramento elétrico de proteção e devem ser submetidas a inspeções e medições elétricas periódicas, com emissão dos respectivos laudos por profissional legalmente habilitado, em conformidade com o projeto das instalações elétricas temporárias e com as normas técnicas nacionais vigentes.
NR-18, item 18.6.7

A NR-18 não fixa o intervalo em meses: a palavra é só "periódicas". O intervalo precisa estar definido pelo profissional, amarrado ao projeto e às normas técnicas, e registrado — sem isso, não há como provar que a medição está em dia. O mesmo vale para o DR: a norma o torna obrigatório nas situações previstas nas normas técnicas nacionais (18.6.9), sem listá-las. E o SPDA do canteiro também é projetado, construído e mantido conforme essas normas (18.6.18). Nos três casos, a resposta está no projeto e no laudo, não no bom senso de quem montou.

para conferir amanhã

  • O projeto elétrico está no PGR e bate com o que está montado hoje?
  • Há lista dos trabalhadores autorizados, com o alcance de cada autorização?
  • Os quadros atendem às oito alíneas e estão vazios por dentro?
  • Os circuitos têm seccionamento próprio e permitem bloqueio?
  • Há laudo de aterramento e das medições, com a próxima data definida?
  • As ferramentas portáteis têm duplo isolamento e plugue?

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Canteiro de obras: o PGR que muda de etapa

Guia técnico · NR-18 · 19 páginas · PDF

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