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Plataformas
Ergonomia

A norma não pede conforto — pede que a postura nociva contínua e repetitiva seja evitada

Os itens 17.4.2 e 17.4.3 tratam de sobrecarga estática e dinâmica e de posturas extremas. As medidas admitidas são de engenharia, organizacionais ou administrativas — e todas partem de uma avaliação registrada.

·4 min de leitura·NR-17 · NR-1

Ergonomia costuma ser reduzida a cadeira e apoio de pés. A NR-17 trata disso, mas o núcleo dela é outro: o que o corpo é obrigado a fazer, com que frequência, e por quanto tempo.

Sobrecarga estática e dinâmica

O item 17.4.2 alcança as atividades que exijam sobrecarga muscular estática ou dinâmica do tronco, do pescoço, da cabeça, dos membros superiores e dos membros inferiores. Para elas, devem ser adotadas medidas técnicas de engenharia, organizacionais e/ou administrativas, com o objetivo de eliminar ou reduzir essas sobrecargas.

  • Estática é a carga de manter — braço elevado, tronco inclinado, pé fixo. Ela não aparece em contagem de repetições;
  • Dinâmica é a carga de mover — o esforço repetido, o ciclo curto;
  • A norma cita cinco segmentos corporais, e não só os membros superiores, que é onde quase toda avaliação para.

A ordem das medidas não é indiferente

O item cita engenharia, organizacionais e administrativas — e a NR-1, na alínea "g" do item 1.4.1, estabelece a prioridade: eliminar o fator de risco, depois proteção coletiva, depois medidas administrativas ou de organização do trabalho, e por último proteção individual. Rodízio é medida legítima; ele não é a primeira a tentar.

As posturas que devem ser evitadas

O item 17.4.3 manda implementar medidas, a partir da avaliação ergonômica preliminar ou da AET, que evitem que os trabalhadores, ao realizar suas atividades, sejam obrigados a efetuar de forma contínua e repetitiva posturas extremas ou nocivas do tronco, do pescoço, da cabeça e dos membros — entre outras situações listadas no próprio item.

Duas palavras governam o alcance: contínua e repetitiva. Postura extrema ocasional e breve não é o alvo; a mesma postura como parte do ciclo, sim.

O elo com o levantamento de cargas

O capítulo 17.5 completa o quadro. O subitem 17.5.2.1 veda o levantamento não eventual de cargas que possa comprometer a segurança e a saúde quando a distância de alcance horizontal da pega for superior a 60 cm em relação ao corpo.

E o item 17.5.4 lista as medidas para movimentação e transporte manual não eventual — implantar meios técnicos facilitadores; adequar peso, dimensões e formato da carga; limitar duração, frequência e número de movimentos; reduzir distâncias percorridas — entre outras.

Tudo parte de avaliação registrada

Os itens 17.4.2, 17.4.3 e 17.5.2, alínea "a", repetem a mesma condição: as medidas decorrem da avaliação ergonômica preliminar ou da AET. E o subitem 17.3.1.2.1 exige que a avaliação preliminar seja registrada.

Medida adotada sem avaliação registrada pode até ser tecnicamente boa — e não demonstra cumprimento, porque falta o elo que a norma exige antes dela.

O sinal de avaliação superficial

Relatório que trata só de mobiliário e postura sentada. Sobrecarga estática de membro superior elevado, postura de pescoço em atividade de inspeção e carga sobre membros inferiores em trabalho em pé prolongado estão todos no texto do 17.4.2 — e quase nunca no documento.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Organização do trabalho: os seis elementos da NR-17

Guia técnico · NR-17 e NR-1 · 17 páginas · PDF

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