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NR-1 · Psicossocial

Nível de risco por fator é o que transforma um resultado de pesquisa em plano de ação defensável

Escore geral não prioriza nada. A NR-1 pede nível por risco, e é essa granularidade que permite dizer o que entra primeiro no cronograma — e por quê.

·4 min de leitura·NR-1 · NR-17

A avaliação psicossocial produz, quase sempre, um número global: um índice de risco para a organização. Ele serve para comparar períodos e não serve para decidir nada.

O que a norma pede

O item 1.5.4.4.2 é literal: para cada risco deve ser indicado o nível de risco ocupacional. Não é um nível para o conjunto; é um nível por risco identificado.

Traduzido para o objeto psicossocial: um nível para carga e ritmo, outro para autonomia, outro para clareza de papel, outro para suporte, outro para conduta ofensiva — cada um com o seu grupo exposto, na forma da alínea "c" do item 1.5.4.3.1.

Por que o escore único falha na etapa seguinte

O plano de ação prioriza. Priorizar exige comparar. Um número global não permite comparar duas medidas, porque as duas atacam o mesmo número.

Com nível por fator, a comparação é possível: uma medida de redesenho de jornada e uma medida de esclarecimento de papel deixam de competir pela mesma vaga e passam a atender a linhas distintas do inventário.

FatorGrupo expostoNívelMedida típica
Carga e ritmoSetor de operação, turno noturnoAltoRedimensionamento de escala e de meta
Clareza de papelEquipe recém-reestruturadaMédioDescrição de atribuições e fluxo de decisão
Suporte da chefiaUnidade com liderança novaMédioCapacitação de liderança e rotina de acompanhamento
Conduta ofensivaToda a organizaçãoConforme apuradoAs três medidas obrigatórias da NR-1 sobre assédio

Onde os dois números convivem

O índice global é útil como indicador de acompanhamento — é o que o item 1.5.5.3.2 chama de acompanhamento do desempenho das medidas. O nível por fator é o que sustenta a decisão. Um serve para verificar; o outro, para agir. Trocar as funções é o erro.

Como se chega ao nível sem inventar régua

O nível é a combinação de severidade e probabilidade (item 1.5.4.4.2). Para fator psicossocial, a severidade se ancora no tipo de agravo associado ao fator, e a probabilidade na frequência e na intensidade com que a condição se apresenta no grupo — tipicamente lida pela dispersão das respostas, não só pela média.

Média esconde grupo. Um setor com metade das respostas em extremos opostos tem média confortável e um problema localizado. É por isso que a leitura por dispersão costuma mudar a prioridade.

O que precisa estar no documento de critérios

  • as faixas de severidade e o que caracteriza cada uma;
  • as faixas de probabilidade e como a resposta do instrumento se converte nelas;
  • a matriz que combina as duas e produz o nível;
  • o ponto de corte a partir do qual a linha entra obrigatoriamente no plano de ação;
  • a regra de supressão para grupo pequeno, definida antes da coleta.

Nível alto não é diagnóstico coletivo

Nível de risco descreve a condição de trabalho, não o estado de saúde do grupo. Comunicar "o setor está em risco alto" como se fosse resultado clínico produz o efeito oposto ao pretendido — e não é o que a gradação mede.

Conecta NR01

Nível por fator, e não escore único: é o que permite priorizar o plano de ação e defender a prioridade escolhida.

Conhecer

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Assédio e violência no trabalho: da obrigação à prova

Guia técnico · NR-1, NR-5 e NR-17 · 17 páginas · PDF

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