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Um PGR por quê: seis normas contam a unidade do programa, e nenhuma delas conta por CNPJ

O eixo da NR-1 e o estabelecimento, a norma admite mais de um programa dentro dele, e no trabalho aquaviario a propria norma soma dois documentos em vez de um.

·6 min de leitura·NR-1 · NR-18 · NR-30 · NR-31 · NR-37

"Um CNPJ, um PGR" é uma das frases mais repetidas em consultoria de segurança do trabalho, e ela erra nos dois sentidos ao mesmo tempo. Erra por baixo, porque o eixo da NR-1 nunca foi o CNPJ. E erra por cima, porque a própria norma admite mais de um programa dentro de um mesmo estabelecimento.

Sobre essa base entram as normas setoriais, e é aí que a conta fica realmente interessante: uma delas soma expressamente dois documentos onde o mercado enxerga um.

Tabela com seis linhas mostrando por qual unidade cada norma conta o programa de gerenciamento de riscos: por estabelecimento na NR-1, por canteiro de obras na NR-18, por embarcação na NR-30, por estabelecimento rural na NR-31, por plataforma na NR-37, e a regra da NR-1 sobre o programa da contratada dentro do da contratante.
Seis unidades de contagem diferentes, e a sigla do cadastro da empresa não aparece em nenhuma delas.

o eixo da NR-1 é o estabelecimento

O item 1.5.3.1 manda a organização implementar o gerenciamento de riscos ocupacionais nos seus estabelecimentos. O plural é da própria norma. E o subitem que fecha a cadeia diz como o programa se distribui.

O Programa de Gerenciamento de Riscos deve ser implementado por estabelecimento, podendo ser por unidade operacional, setor ou atividade.
NR-1, item 1.5.3.1.1.1

A oração final é a que quase nenhum material cita: "podendo ser por unidade operacional, setor ou atividade". Ela abre, dentro do estabelecimento, a possibilidade de mais de um programa. Uma indústria com uma área de processo químico e um centro administrativo no mesmo terreno pode manter dois programas com inventários distintos, e isso não é uma engenhosidade de consultor: é o texto.

Duas consequências práticas seguem daí. A primeira é que matriz e filial em endereços diferentes são estabelecimentos diferentes, e o programa acompanha o endereço, não o cadastro. A segunda é que a decisão de dividir precisa de critério declarado — porque, dividido o programa, cada parte passa a ter o seu inventário e o seu plano de ação, com as datas e assinaturas que o item 1.5.7.2 exige.

o caso em que a norma soma dois documentos

O trabalho aquaviário resolve, com todas as letras, a dúvida que mais aparece: o programa setorial substitui o programa geral? A NR-30 responde que não. O item 30.4.1 manda elaborar e implementar o PGRTA por embarcação, nos termos da NR-1 e da própria NR-30. E o item 30.4.1.1 acrescenta que essa elaboração não retira da organização o dever de elaborar e implementar o programa dos seus estabelecimentos em terra.

São dois documentos, com dois eixos de contagem: um por embarcação, outro por estabelecimento. Uma empresa com três embarcações e um escritório tem quatro programas, e não um. O item 30.4.1.3 reforça a lógica ao dizer que atender ao item 30.4.1.1 mantém íntegro o cumprimento das demais disposições da norma.

Por que essa é a linha mais útil da régua

A NR-30 é a única norma do conjunto que escreve, em um item próprio, a relação entre o programa setorial e o programa geral. Quem trabalha com outros setores costuma aplicar por analogia a lógica errada — a de substituição. O texto aquaviário mostra qual é a lógica que o legislador usa quando resolve escrever a relação: a de soma.

obra, campo e plataforma: três eixos que não são o da sede

São obrigatórias a elaboração e a implementação do PGR nos canteiros de obras, contemplando os riscos ocupacionais e suas respectivas medidas de prevenção.
NR-18, item 18.4.1

O canteiro é a unidade, e o item 18.4.5 estende a contagem: as frentes de trabalho devem ser consideradas na elaboração e implementação do programa. A construtora com quatro obras em andamento tem quatro programas de canteiro, cada um com o conteúdo adicional do item 18.4.3 — projeto da área de vivência, projeto elétrico das instalações temporárias, projetos dos sistemas de proteção coletiva, projetos dos sistemas de proteção individual contra quedas quando aplicável, e a relação dos equipamentos de proteção individual.

No campo, o item 31.3.1 fixa o eixo no estabelecimento rural: o programa é elaborado, implementado e custeado por estabelecimento, e não por propriedade nem por empregador. Em plataforma, a NR-37 vai mais longe e multiplica também por empresa.

A operadora da instalação e as empresas prestadoras de serviços permanentes a bordo devem elaborar e implementar os seus respectivos PGR, por plataforma, observando o disposto nesta Norma e na NR-01 (Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais).
NR-37, item 37.5.1

Duas variáveis simultâneas: por plataforma e por empresa. Uma plataforma com a operadora e três prestadoras permanentes a bordo tem quatro programas convivendo no mesmo casco — o que explica por que o item 37.5.2, alínea "b", manda cada organização considerar, na elaboração, os riscos gerados pelas prestadoras de serviços a bordo.

e o programa da contratada, quando ela atua na sua casa

O item 1.5.8.1 dá à contratante duas opções: incluir no próprio programa as medidas de prevenção para as contratadas que atuem em suas dependências, ou utilizar os programas das contratadas. Escolhida a segunda via, o item 1.5.8.1.1 fixa o que a contratada precisa entregar: o inventário de riscos ocupacionais e o plano de ação referentes às atividades objeto da contratação.

O recorte é do escopo contratado, não da empresa inteira. É a mesma lógica que a NR-18 aplica no canteiro, no item 18.4.4: a contratada fornece ao contratante o inventário de riscos específicos das suas atividades, e esse inventário é contemplado no programa do canteiro. Nos dois casos, o documento da contratada não vira um programa paralelo — ele entra no programa do lugar.

A pergunta que substitui "quantos por CNPJ"

Quantos endereços de trabalho existem, quantas obras e embarcações estão ativas, quais unidades operacionais têm perfil de risco tão distinto que pedem inventário próprio, e quais contratadas atuam nas dependências. As respostas dão o número. O cadastro da empresa não entra na conta em nenhum momento.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

MEI, ME e EPP: o capítulo 1.8 da NR-1

Guia técnico · NR-1, capítulo 1.8 · 16 páginas · PDF

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