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A NR-6 lista os tipos de respirador; o que decide se ele protege é o programa que a norma não escreve

Escolher entre PFF1, PFF2, PFF3 e peça com filtro é a parte fácil. Vedação, avaliação de quem vai usar, ensaio, higienização e substituição são o que separa proteção de aparência de proteção.

·4 min de leitura·NR-6 · NR-1 · NR-9 · NR-15

O Anexo I da NR-6 organiza os EPI por parte do corpo, e a letra D trata da proteção respiratória. A lista é técnica e útil — e é a parte do assunto que menos decide o resultado.

O que a lista traz

Respiradores purificadores de ar não motorizados, com peças semifaciais filtrantes para partículas em três classes:

TipoProteção declarada na norma
PFF1Vias respiratórias contra poeiras e névoas
PFF2Poeiras, névoas e fumos
PFF3Poeiras, névoas, fumos e agentes de maior exigência
Peça com filtro P2 / P3Um quarto facial, semifacial ou facial inteira, conforme a classe
Filtro químico ou combinadoGases e vapores, ou gases e vapores e material particulado

A escolha vem antes da lista

O item 6.5.2 manda selecionar considerando a atividade, os perigos identificados e os riscos avaliados, o disposto no Anexo I, a eficácia necessária para o controle da exposição, as exigências das NR e a adequação ao empregado e o conforto, segundo avaliação do conjunto de empregados.

E o item 6.5.2.1 exige que a seleção seja registrada, podendo integrar ou ser referenciada no PGR.

A alínea do conforto não é acessória, aqui

Respirador é o EPI com maior taxa de não uso, e o motivo quase sempre é desconforto. A norma transformou em requisito o que a experiência de campo já sabia: EPI que incomoda não é usado, e EPI não usado não protege — por melhor que seja a classe do filtro.

O que a norma pressupõe e não detalha

A NR-6 não descreve como se garante a vedação de um respirador ao rosto de uma pessoa específica, nem como se avalia se alguém tem condições de usá-lo, nem com que critério se troca o filtro. Essas respostas vêm de um programa de proteção respiratória, que é a referência técnica consolidada do assunto no país.

  • avaliação do ambiente, para decidir a classe necessária;
  • avaliação de quem vai usar o respirador;
  • treinamento de quem usa e de quem administra o programa;
  • ensaio de vedação — a etapa mais determinante e a mais ausente;
  • higienização, limpeza, manutenção, guarda e descarte.

A hierarquia continua valendo

A alínea "c" do item 6.5.1 remete expressamente: o EPI é fornecido nas situações previstas no subitem 1.5.5.1.2 da NR-01, observada a hierarquia das medidas de prevenção. Ou seja, o respirador é a resposta quando a medida superior é tecnicamente inviável — e comprovadamente.

Programa de proteção respiratória bem montado em ambiente onde caberia ventilação local exaustora resolve o sintoma e mantém o problema.

O prazo que governa o uso

O item 6.9.2.1 exige que o EPI seja comercializado com CA válido. E o 6.9.2.1.1: após adquirido, o fornecimento deve observar as condições de armazenamento e o prazo de validade do equipamento informados pelo fabricante — que é o prazo que governa a unidade em uso.

Barba e vedação

Respirador com vedação facial depende do contato entre a borda da peça e a pele. É uma limitação física do equipamento, não uma regra de aparência — e precisa ser tratada na seleção do item 6.5.2, com alternativa técnica para quem não pode atendê-la, e não por imposição sem alternativa.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Treinamentos de SST: tipos, certificado e matriz

Guia técnico · NR-1 e normas específicas · 17 páginas · PDF

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