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Obrigações

O campo de aplicação da NR-1 é maior do que "empresa e empregado" — e quem amplia são três verbetes do Anexo I

Órgão público com empregado celetista está no texto do item 1.2.1.1, e o glossário define trabalhador de um jeito que alcança quem não tem vínculo de emprego.

·5 min de leitura·NR-1 · NR-5 · NR-18

A pergunta "essa norma se aplica a mim?" é respondida, na prática, por hábito: aplica-se a empresa privada com empregado registrado. A NR-1 responde em quatro linhas, e o alcance que ela desenha é maior do que o hábito — porque o texto do capítulo 1.2 tem três camadas e o glossário do Anexo I tem outras três.

a primeira camada é a conhecida

As NR obrigam, nos termos da lei, empregadores e empregados, urbanos e rurais.
NR-1, item 1.2.1

Uma linha, dois pares. A expressão nos termos da lei não é ornamento: ela ancora a obrigação na legislação trabalhista, e é ela que reaparece, ampliada, no subitem seguinte.

a segunda camada alcança o serviço público

As NR são de observância obrigatória pelas organizações e pelos órgãos públicos da administração direta e indireta, bem como pelos órgãos dos Poderes Legislativo, Judiciário e Ministério Público, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT
NR-1, subitem 1.2.1.1

É um dos subitens mais específicos da norma inteira, e ele nomeia os três Poderes e o Ministério Público. O critério que o texto usa é objetivo: possuir empregados regidos pela CLT. Autarquia, fundação, empresa pública, sociedade de economia mista, câmara municipal, tribunal — havendo empregado celetista, o subitem alcança o órgão, com todas as obrigações que dele decorrem.

a terceira camada é aberta, e remete à lei

Nos termos previstos em lei, aplica-se o disposto nas NR a outras relações jurídicas.
NR-1, subitem 1.2.1.2

O subitem não lista as relações. Ele faz o contrário: devolve a resposta para a lei que trata de cada uma. É por essa porta que discussões sobre estágio, cooperativa, trabalho temporário e outras figuras chegam ao texto da NR — cada qual pelo diploma que a rege.

Cinco linhas comparando o alcance da NR-1: item 1.2.1 alcança empregadores e empregados urbanos e rurais; 1.2.1.1 alcança órgãos públicos com empregados celetistas; 1.2.1.2 remete a outras relações jurídicas nos termos da lei; e o Anexo I define organização e trabalhador de forma ampla.
O corpo da norma diz a quem ela obriga; o Anexo I diz o que aquelas palavras significam. As duas leituras juntas produzem um alcance maior do que qualquer uma isolada.

e então o glossário entra

O item 1.1.2 faz uma remissão que decide tudo o que vem depois: para fins de aplicação das NR, consideram-se os termos e definições constantes no Anexo I. Ou seja, o glossário não é apêndice da NR-1 — é o dicionário de todas as NR. E ele define as duas palavras que mais aparecem no texto delas.

Organização: pessoa ou grupo de pessoas com suas próprias funções com responsabilidades, autoridades e relações para alcançar seus objetivos. Inclui, mas não é limitado a empregador, a tomador de serviços, a empresa, a empreendedor individual, produtor rural, companhia, corporação, firma, autoridade, parceria, organização de caridade ou instituição, ou parte ou combinação desses, seja incorporada ou não, pública ou privada.
NR-1, Anexo I

A lista é deliberadamente ampla, e três palavras dela costumam surpreender: tomador de serviços, autoridade e a fórmula final pública ou privada. Quando um item da norma diz "a organização deve", é essa definição que está em jogo — e não a palavra "empresa".

Trabalhador: pessoa física inserida em uma relação de trabalho, inclusive de natureza administrativa, como os empregados e outros sem vínculo de emprego.
NR-1, Anexo I

Este é o verbete que mais muda leitura de item. "Inclusive de natureza administrativa" e "outros sem vínculo de emprego" são expressões de alcance, não de exemplo. Todo item que fala em trabalhador — e o capítulo 1.5 fala o tempo inteiro — carrega essa definição junto.

Empregado e trabalhador não são sinônimos no Anexo I

O mesmo glossário define empregado como a pessoa física que presta serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. São dois verbetes diferentes, com alcances diferentes, no mesmo anexo. Quando a norma quer falar do vínculo, ela escreve "empregado"; quando quer falar de quem está exposto, escreve "trabalhador". A troca de uma palavra pela outra, na leitura, muda o resultado.

onde a distinção aparece na prática

  • O capítulo 1.5 atribui deveres à organização — palavra que o glossário estende ao tomador de serviços e ao produtor rural;
  • o subitem 1.5.8.1.2 trata da contratada em que os serviços são prestados somente pelo titular ou sócios, e manda a contratante estender suas medidas de prevenção aos riscos das atividades objeto da contratação, quando executadas em suas dependências ou em local previamente convencionado;
  • os itens sobre informação e capacitação falam em trabalhadores, e não em empregados;
  • o subitem 1.2.1.1 resolve, no texto, a dúvida sobre órgão público com quadro misto.

A leitura que economiza discussão

Antes de decidir se um item se aplica a alguém, faça duas leituras: a do capítulo 1.2, que diz a quem a norma obriga, e a do Anexo I, que diz o que a palavra usada no item significa. Quase toda dúvida de alcance se resolve na segunda leitura, e é justamente a que quase ninguém faz.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Treinamentos de SST: tipos, certificado e matriz

Guia técnico · NR-1 e normas específicas · 17 páginas · PDF

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