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Roçadeira costal: a capacitação depende do regime, e o EPI começa pelo protetor da máquina

Quatro horas no meio rural, oito na limpeza urbana, carga definida pelo empregador na jardinagem privada. E um EPI que só funciona se o protetor do conjunto de corte estiver no lugar.

·6 min de leitura·NR-12 · NR-31 · NR-38 · NR-6 · NR-9 · NR-17

A roçadeira costal é uma das máquinas mais usadas e menos reguladas por nome. Ela não aparece no Anexo V da NR-12, que trata de motosserras e motopodas. Tem carga horária escrita em uma só norma, a do trabalho rural. E ainda assim o operador dela precisa de capacitação e de EPI em qualquer lugar onde trabalhe — só que a régua muda conforme o lugar.

a capacitação: três réguas

No meio rural, a NR-31 fixa a carga horária mínima e amarra o conteúdo ao manual da própria máquina:

O empregador rural ou equiparado deve promover, para todos os operadores de roçadeira costal motorizada e derriçadeira, treinamento semipresencial ou presencial para utilização segura destas máquinas, com carga horária mínima de 4 (quatro) horas e conforme conteúdo programático relativo à sua utilização constante do manual de instruções.
NR-31, item 31.12.46.1

Na limpeza urbana — roçada de praça, canteiro, margem de via —, a NR-38 fixa o treinamento inicial de todo trabalhador do setor, com parte prática que inclui a operação de máquinas, equipamentos e ferramentas manuais quando aplicável (38.9.3.2, alínea "b"):

A carga horária do treinamento inicial dever ser de 4 (quatro) horas para o conteúdo teórico e de 4 (quatro) horas para o conteúdo prático.
NR-38, item 38.9.10

Na jardinagem predial e privada, vale a parte geral da NR-12. Ela não escreve número para a roçadeira. Em vez disso, exige que a capacitação aconteça antes de o trabalhador assumir a função, sem ônus para ele, durante a jornada, com conteúdo do Anexo II e sob supervisão de profissional legalmente habilitado, que responde pelo conteúdo, pela forma, pela carga horária e pela avaliação (12.16.3). A carga é definida pelo empregador — e precisa ser suficiente para cobrir o conteúdo:

  • riscos da máquina e as proteções contra cada um deles;
  • funcionamento das proteções, e por que não podem ser retiradas;
  • o que fazer quando uma proteção se danifica;
  • método de trabalho seguro e bloqueio da máquina para limpeza, ajuste e manutenção.

Duas consequências práticas. A capacitação da NR-12 vale para o empregador que a realizou, nas condições definidas por quem a supervisionou (12.16.6): o certificado que o trabalhador traz da empresa anterior precisa ser avaliado, não apenas arquivado. E o certificado segue a NR-01, com conteúdo, carga horária, data, local, instrutor e responsável técnico.

O erro mais comum

Aplicar as quatro horas da NR-31 ao jardineiro de condomínio porque é o único número escrito. Fora do meio rural, esse número não tem base; a régua é a da NR-12, e a carga precisa ser justificada pelo conteúdo. Na dúvida sobre o regime, a régua mais longa é a defensável.

o EPI começa na máquina

Antes de qualquer EPI, a roçadeira precisa do protetor do conjunto de corte. A NR-12 exige proteção em toda máquina com risco de projeção de materiais e partículas (12.5.10); o Anexo XI escreve o mesmo especificamente para as roçadoras (6.8.1), e a NR-31 para as roçadeiras (31.12.29). Protetor retirado "para render mais" transforma qualquer EPI em aposta.

Com a máquina protegida, a seleção do EPI parte dos perigos avaliados e é registrada (NR-06, 6.5.2 e 6.5.2.1). Para a roçada, o Anexo I da NR-06 oferece:

PerigoEPI de referência (NR-06, Anexo I)
Pedra, galho e fragmento arremessadosProtetor facial contra partículas volantes (B.2 "a") sobre óculos (B.1 "a")
Ruído do motorProtetor auditivo (C.1), conforme a avaliação
Impacto e corte nas pernasPerneira contra agentes abrasivos e escoriantes ou cortantes (G.3 "a" e "b")
Impacto e corte nos pésCalçado contra impacto e contra agentes cortantes (G.1 "a" e "e")
Vibração e escoriação nas mãosLuva contra agentes abrasivos (F.1 "a") ou contra vibrações (F.1 "g"), se indicada
Radiação solarÓculos contra radiação ultravioleta (B.1 "c")

Óculos sozinhos não bastam: protegem os olhos e deixam rosto e pescoço expostos. Por isso a combinação protetor facial sobre óculos é a referência da roçada.

Na entrega, a organização informa ao operador o risco contra o qual cada EPI protege, suas limitações, o uso e o ajuste corretos, a manutenção e a limpeza (6.7.2). O fornecimento fica registrado em livro, ficha ou sistema eletrônico (6.5.1, alínea "d").

o que não é EPI, mas também é devido

O cinto ou arnês que transfere o peso da roçadeira para o tronco não está no Anexo I da NR-06. Ele vem da NR-17:

Devem ser dotados de dispositivo de sustentação os equipamentos e ferramentas manuais cujos pesos e utilização na execução das tarefas forem passíveis de comprometer a segurança ou a saúde dos trabalhadores ou adotada outra medida de prevenção, a partir da avaliação ergonômica preliminar ou da AET.
NR-17, item 17.7.4

Chapéu e protetor solar também ficam fora do Anexo I. No meio rural e na limpeza urbana, eles são dispositivos de proteção pessoal com regra própria (NR-31, 31.6.2 e 31.6.2.2; NR-38, 38.10.1.1). Na jardinagem privada, entram como medida especial contra a insolação da NR-21 quando o inventário de riscos apontar.

E há a vibração. A organização precisa comprovar, na manutenção, medidas de controle e redução da exposição (NR-09, Anexo I, 3.2): coxim antivibração no prazo, lâmina balanceada, empunhadura íntegra. Acima do nível de ação de 2,5 m/s² de aceleração normalizada, entram medidas preventivas; acima do limite de 5 m/s², corretivas — como reduzir o tempo de uso e alternar o operador.

Antes de ligar

Protetor do conjunto de corte no lugar, lâmina ou fio conforme o manual, arnês ajustado, trava do acelerador e botão de parada funcionando, área percorrida e isolada. Com um "não" em qualquer desses pontos, a roçadeira não liga.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Normas setoriais: quando a específica se soma à geral

Guia técnico · NR-18, NR-31 e NR-32 · 19 páginas · PDF

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