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Alto risco

Montador de palco precisa de NR-35? Precisa — e de mais três coisas que o certificado não prova

Acima de dois metros com risco de queda, a NR-35 se aplica em qualquer setor. O treinamento é presencial desde 2026, mas só vira autorização com aptidão no ASO e anuência formal do empregador.

·6 min de leitura·NR-35 · NR-1

O montador de palco passa boa parte da jornada em torre, treliça e grid, e quase sempre bem acima de dois metros. A pergunta sobre o treinamento de trabalho em altura costuma vir acompanhada de outra, não dita: se evento não é obra, a NR-35 vale? Vale. O campo de aplicação dela não depende de setor.

Aplica-se o disposto nessa Norma a toda atividade com diferença de nível acima de 2,0m (dois metros) do nível inferior, onde haja risco de queda.
NR-35, item 35.2.1

Duas condições, e só elas: diferença de nível acima de dois metros e risco de queda. Produtora, locadora de estrutura, empresa de som e luz ou cenografia — quem sobe na estrutura nessas condições está no campo da norma.

o treinamento: quando, quanto e como

A capacitação da NR-35 tem treinamento teórico e prático, inicial, periódico e eventual. O inicial tem carga horária mínima de oito horas e acontece antes de o trabalhador iniciar a atividade (35.4.2.1), com conteúdo que inclui análise de risco e condições impeditivas, sistemas de proteção, seleção e inspeção de EPI, acidentes típicos e noções de resgate e primeiros socorros. O periódico também tem regra escrita:

O treinamento periódico deve ser realizado a cada dois anos, com carga horária mínima de oito horas, conforme conteúdo programático definido pelo empregador.
NR-35, item 35.4.2.2

E desde a alteração de julho de 2026 a forma também está definida:

Os treinamentos previstos nesta NR devem ser realizados na modalidade presencial.
NR-35, item 35.4.5

Atenção ao prazo de transição

O texto consolidado do item 35.4.2.1 remete ao art. 8º da Portaria MTE nº 1.259, de 15 de julho de 2026, para o prazo de realização. Esse artigo não está reproduzido na norma. Antes de recusar ou aceitar certificado emitido perto dessa data, confira a portaria.

o eventual mudou de endereço

Muitos materiais ainda dizem que o montador refaz o treinamento depois de noventa dias afastado ou quando muda de empresa. Esse texto saiu da NR-35. Hoje ela remete à NR-01, que fixa os gatilhos do treinamento eventual: mudança de procedimentos, condições ou operações que altere os riscos, acidente grave ou fatal que indique a necessidade, e afastamento longo.

após retorno de afastamento ao trabalho por período superior a 180 (cento e oitenta) dias.
NR-01, item 1.7.1.2.3, alínea "c"

Para quem chega de outra empresa, o caminho é a convalidação ou a complementação do treinamento anterior (1.7.7), considerando conteúdo, carga horária e as atividades que o montador vai fazer. É uma avaliação da nova empresa, registrada — não uma aceitação automática do certificado.

as três coisas que o certificado não prova

Considera-se trabalhador autorizado para trabalho em altura aquele capacitado cujo estado de saúde foi avaliado, tendo sido considerado apto para executar suas atividades.
NR-35, item 35.4.1.1
  • Aptidão. O estado de saúde é avaliado conforme a NR-07, considerando doenças que possam causar mal súbito e queda, e fatores psicossociais (35.4.4). A aptidão para trabalho em altura vai escrita no atestado de saúde ocupacional (35.4.4.1).
  • Autorização. É ato formal da organização, que considera as atividades, a capacitação e a aptidão (35.4.1.2), e fica nos documentos funcionais. Precisa haver sistema de identificação que mostre, a qualquer tempo, o alcance da autorização de cada um (35.4.1.3.1).
  • Quem autoriza. O empregador do montador. A produção do evento pode e deve conferir a lista, mas não autoriza trabalhador de outra empresa no lugar dela.

Por isso a conferência na entrada da montagem não para no certificado. Ela olha o certificado — que precisa trazer conteúdo, carga horária, data, local, instrutores e responsável técnico (NR-01, 1.7.1.1) —, o atestado com a aptidão e a autorização do empregador.

quando o treinamento de altura não basta

  • Acesso por cordas. Quem trabalha suspenso em corda, comum em montagem de cenografia e de painel em estrutura alta, segue o Anexo I: trabalhador certificado conforme norma técnica de certificação de pessoas e equipe de pelo menos dois, sendo um supervisor (Anexo I, item 3.1).
  • Talha e plataforma elevatória. Operar máquina exige capacitação própria para o equipamento (NR-12, 12.16.1). O curso de altura não ensina a operar a talha que ergue o grid.
  • Energia. Quem liga quadro e gerador precisa ser autorizado pela NR-10 (redação de 2019, 10.8.4), com os gatilhos de reciclagem dela, que são outros (10.8.8.2).

Diarista e freelancer

A montagem de evento usa muita mão de obra por diária. O vínculo não muda a pergunta: quem coloca a pessoa na estrutura responde por ela estar capacitada, apta e autorizada. Na relação entre contratante e contratada, a NR-01 manda que o gerenciamento de riscos alcance as contratadas (1.5.8.1). Peça a lista antes do evento, não na hora de subir.

o que guardar

Para cada montador, três documentos juntos: o certificado do treinamento de altura, com a data que define o próximo periódico; o atestado de saúde ocupacional com a aptidão para trabalho em altura; e a autorização do empregador, com o alcance dela. A NR-35 manda organizar e arquivar a documentação prevista na norma por, no mínimo, cinco anos (35.3.1, alínea "j"). Numa atividade em que a equipe muda de evento para evento, é esse arquivo que responde quem estava autorizado a subir naquela noite.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Escadas de uso individual: o Anexo III da NR-35

Guia técnico · NR-35, Anexo III · 17 páginas · PDF

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