Pular para o conteúdo
Plataformas
Emergência

Depois do princípio de incêndio: o que se analisa, revisa e registra quando a emergência foi de verdade

Evento sem vítima também entra na análise da NR-01. O plano de resposta é avaliado depois da situação real, a avaliação de riscos é revista e, com inflamáveis, o plano de prevenção também.

·6 min de leitura·NR-1 · NR-20 · NR-34 · NR-29 · NR-36

O fogo no quadro elétrico foi apagado com dois extintores em menos de um minuto. Ninguém se feriu. No dia seguinte a produção voltou, e o assunto morreu no grupo de mensagens. É exatamente o tipo de evento que a NR-01 manda analisar.

evento sem vítima também se analisa

Deve ser realizada a análise de eventos perigosos que poderiam ter consequências graves.
NR-01, item 1.5.5.5.1.1

Princípio de incêndio, vazamento contido, derramamento absorvido a tempo: todos são eventos perigosos que poderiam ter terminado em ferimento ou morte. A análise segue o item 1.5.5.5.2 — é documentada, considera as situações que geraram o evento, os dados da organização e o relato dos trabalhadores, e produz evidências para revisar as medidas de prevenção. Explicação do tipo "foi um curto" não é análise; é o começo dela.

o plano de resposta também é avaliado

Emergência real é o teste mais fiel do plano, mais do que qualquer simulado. Duas normas escrevem isso de forma expressa:

O plano de resposta a emergências deve ser avaliado após a realização de exercícios simulados e/ou na ocorrência de situações reais, com o objetivo de testar a sua eficácia, detectar possíveis falhas e proceder aos ajustes necessários.
NR-20, item 20.15.4
Após a realização dos exercícios simulados ou na ocorrência de situações reais, deve ser elaborado relatório, com o objetivo de verificar a eficácia do PRE, detectar possíveis falhas e subsidiar os ajustes necessários.
NR-34, item 34.17.4.2

A NR-29 pede, no relatório de análise de acidente, a avaliação do cenário ocorrido: se a resposta foi adequada ao plano e quais foram os pontos positivos e negativos (29.28.5). Fora desses setores, a mesma lógica sai da NR-01: o procedimento de resposta tem de ser mantido (1.5.6.1), e manter inclui corrigir o que a ocorrência mostrou.

quem participa da análise

A análise considera as informações prestadas pelos trabalhadores (1.5.5.5.2, alínea "b"). Na prática, isso significa ouvir quem detectou o fogo, quem acionou o alarme, quem usou o extintor e quem coordenou o abandono — de preferência nos primeiros dias, antes que a memória se acomode à versão oficial. No estaleiro, a NR-34 manda apresentar à CIPA, quando houver, os relatórios de avaliação do acionamento do plano em situações reais (34.17.6). Fora dele, levar o caso à CIPA é o caminho natural: ela é ouvida na revisão do plano de prevenção da NR-20 (20.14.2, alínea "a") e pode pedir a revisão da avaliação de riscos (1.5.4.4.6, alínea "f").

perguntas para a avaliação

  • O alarme foi percebido em todas as áreas? Quanto tempo passou entre a detecção e o acionamento?
  • Quem agiu era quem o plano previa? O substituto estava presente?
  • Os equipamentos usados funcionaram? Onde estava o mais próximo?
  • Se houve abandono, ele seguiu a rota prevista? A contagem no ponto de encontro fechou?
  • O socorro externo foi acionado pelo número certo, e por onde entrou?
  • O que ninguém sabia fazer?

o que se revisa depois

A análise alimenta revisões com base própria, e cada uma precisa ficar registrada:

DocumentoGatilhoBase
Avaliação de riscos do PGRMedida de prevenção que se mostrou inadequada ou ineficaz; ocorrência de acidenteNR-01, 1.5.4.4.6, alíneas “c” e “d”
Plano de prevenção e controle (instalação da NR-20)Vazamento, derramamento, incêndio ou explosãoNR-20, 20.14.2, alínea “c”
Plano de resposta a emergênciasAvaliação depois da situação realNR-20, 20.15.4; NR-34, 34.17.5, alínea “b”
Plano de ação do PGRMedidas decididas na análise, com responsável e prazoNR-01, 1.5.5.5.2, alínea “c”

antes de voltar ao trabalho

Algumas decisões vêm antes da análise. Os recursos usados precisam ser repostos antes de a área voltar a operar: extintor descarregado, material absorvente, material de primeiros socorros. Em vazamento de amônia na refrigeração, a NR-36 condiciona o retorno dos trabalhadores à medição da concentração do produto no ambiente (36.9.3.4). É um bom modelo de critério para qualquer produto tóxico: a área só é liberada com evidência de que está segura, e não porque o cheiro passou.

Quando a ocorrência precisa ser comunicada

Nas instalações da NR-20, o vazamento, incêndio ou explosão com morte, com ferimento por explosão ou queimadura de 2º ou 3º grau que levou à internação, ou com acionamento do plano que exigiu intervenção de grande magnitude é comunicado à inspeção do trabalho e ao sindicato até o segundo dia útil, e o relatório de investigação fica no local (20.16.1 e 20.16.2). A comunicação de acidente de trabalhador ferido à Previdência e eventuais registros exigidos pelo corpo de bombeiros seguem regras próprias, fora das NRs.

fechar o ciclo

A última etapa é contar o que se aprendeu a quem estava lá. A NR-20 manda divulgar os resultados dos simulados aos trabalhadores abrangidos no cenário (20.15.5.2.1), e a NR-29 manda informar a avaliação aos participantes (29.28.5.1). Com mais razão, isso vale para a emergência real: quem apagou o fogo precisa saber o que mudou no plano por causa dele. Quando a mudança não volta para quem viveu o evento, o próximo princípio de incêndio encontra a mesma equipe fazendo as mesmas coisas.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Incêndio e emergência: da NR-23 ao plano de resposta

Guia técnico · NR-23 e correlatas · 19 páginas · PDF

Baixar o guia