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A equipe de emergência é voluntária? Três NRs dizem que sim, com uma exceção que precisa estar escrita

NR-20, NR-29 e NR-34 repetem a regra: participar é voluntário, salvo quando a natureza da função determina. A NR-01 e a NR-23 não tratam do tema. E o que fazer quando ninguém se oferece.

·6 min de leitura·NR-20 · NR-34 · NR-29 · NR-1 · NR-23

Montar a equipe de emergência costuma começar com uma lista de nomes indicados pela chefia. Às vezes o indicado não quer. A pergunta — ele pode ser obrigado? — tem resposta escrita em três Normas Regulamentadoras, e silêncio nas duas que todo mundo consulta primeiro.

a regra das três normas

A participação do trabalhador nas equipes de resposta a emergências é voluntária, salvo nos casos em que a natureza da função assim o determine.
NR-20, item 20.15.7

A mesma frase aparece na NR-29, para o porto (29.28.8), e quase igual na NR-34, para o estaleiro:

A participação do trabalhador nas equipes de resposta a emergências é voluntária, salvo nos casos em que a natureza da função assim o exigir.
NR-34, item 34.17.8

A troca de verbo — "determine" na NR-20 e na NR-29, "exigir" na NR-34 — não muda o sentido. A regra é a adesão voluntária, e a exceção está ligada à função, não à vontade de quem monta a lista.

o que a NR-01 e a NR-23 dizem sobre isso

Nada. A NR-01 manda definir os meios, os responsáveis e os recursos da resposta a emergências (1.5.6.2, alínea "a"), mas não trata de como os responsáveis são escolhidos. A NR-23 não menciona equipe nem brigada. Fora das instalações de inflamáveis, do porto e do estaleiro, portanto, nenhuma NR responde à pergunta de forma expressa.

Brigada de incêndio é assunto estadual

Quando a edificação precisa de brigada de incêndio, a exigência e o dimensionamento estão na regulamentação estadual do corpo de bombeiros, à qual a NR-23 remete no item 23.3.1, e ela pode trazer critérios próprios de seleção. Confira a regra do seu estado antes de decidir a composição.

o que é "natureza da função"

A exceção cobre quem foi contratado para responder a emergências ou cuja função inclui, por descrição, atuar nelas. O bombeiro civil da planta. O operador que a própria NR-20 enquadra na linha "operação e atendimento a emergências" da Tabela 1 do Anexo I. O técnico de segurança designado coordenador do plano. Para essas pessoas, atuar na emergência é parte do trabalho — e isso deve estar dito na descrição da função e no próprio plano antes do primeiro dia, não descoberto no meio do incêndio.

Para os demais, vale a adesão. Indicar alguém de outra função sem a concordância dele contraria a regra do item. O caminho seguro é o termo de adesão, com data e assinatura.

por que a norma escolheu a adesão

Responder a uma emergência expõe o trabalhador a riscos que a função dele não tem no dia a dia: fumaça, calor, produto fora de controle, a pressa e o medo de quem está em volta. Quem entrou na equipe contra a vontade tende a hesitar justamente na hora em que a hesitação custa caro. A regra da adesão não é gentileza: é critério de confiabilidade da própria resposta. É também por isso que as normas pedem exame específico com atenção aos fatores psicossociais — a equipe precisa de gente que queira e que possa estar ali.

voluntário não significa menos preparo

Ser voluntário não reduz o que se exige de quem entra. Na NR-20, os integrantes da equipe passam por exames médicos específicos para a função que vão desempenhar, conforme a NR-07, incluindo os fatores de riscos psicossociais, com emissão do atestado de saúde ocupacional (20.15.6). A NR-34 exige treinamento inicial e periódico e os mesmos exames específicos (34.17.7). A NR-29 manda treinar cada cenário do plano em horário normal de trabalho, com registro em ficha individual (29.28.9).

Na prática, isso exige que a lista da equipe chegue ao médico responsável pelo PCMSO. Sem saber quem integra a equipe e que papel cada um tem no plano, ele não tem como programar o exame específico da função — e o voluntário entra na equipe com o exame da função de origem, que avaliou outra coisa.

e se ninguém se oferecer

O dever da organização continua. O item 1.5.6.1 da NR-01 não depende de voluntários: se a adesão não fecha a equipe que o plano dimensionou, a organização preenche a lacuna por outro caminho — funções cuja natureza inclua a resposta, serviço especializado contratado, ajuda mútua com vizinhos onde a norma do setor prevê. O plano registra a solução adotada e quem substitui cada papel em cada turno; a NR-29 pede os substitutos expressamente (29.28.2, alínea "c").

Um roteiro para deixar a equipe em ordem:

  • termo de adesão assinado por cada voluntário, com data;
  • funções cuja natureza inclui a resposta identificadas na descrição da função e no plano;
  • titular e substituto de cada papel, em cada turno;
  • exame e treinamento em dia para todos, voluntários ou não;
  • saída de um integrante registrada, com o papel reposto antes do próximo simulado.

Participar não é o mesmo que saber

A adesão voluntária vale para a equipe de resposta. A informação do item 23.3.2 da NR-23 — como usar os equipamentos de combate, como evacuar, quais são os alarmes — é devida a todos os trabalhadores, estejam ou não na equipe.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Incêndio e emergência: da NR-23 ao plano de resposta

Guia técnico · NR-23 e correlatas · 19 páginas · PDF

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