Questão de prova: qual consequência define a severidade (NR-01)
A resposta está no item 1.5.4.4.4.1: com várias consequências possíveis, seleciona-se a de maior magnitude. A pegadinha troca “maior magnitude” por “mais provável”.
A questão
No inventário de riscos de um depósito, o perigo “queda de caixas da prateleira alta” pode resultar em consequências que vão de um hematoma a uma fratura com longo afastamento. Segundo a NR-01, ao definir a severidade desse perigo, a organização deve selecionar:
a) a consequência mais provável, já que a severidade acompanha a chance de ocorrência do evento.
b) a de maior magnitude entre as possíveis, ainda que não seja a mais comum.
c) a média das consequências possíveis, para que o nível de risco não fique inflado.
d) a que já aconteceu na organização, conforme o histórico de acidentes.
Resposta: alternativa b. O item 1.5.4.4.4.1 manda selecionar, entre as consequências possíveis do perigo, a de maior magnitude, e não a mais frequente.
Para cada perigo identificado, quando existir mais de uma consequência possível, deve ser selecionada a consequência de maior magnitude.
O item anterior diz o que é severidade, e é nele que a prova costuma ancorar a pegadinha:
A severidade deve ser estabelecida em razão da magnitude das possíveis consequências das lesões ou agravos à saúde.
Severidade mede magnitude das possíveis consequências. Probabilidade mede chance de ocorrência. São duas variáveis, e o nível de risco nasce da combinação delas:
Para cada risco deve ser indicado o nível de risco ocupacional, determinado pela combinação da severidade das possíveis lesões ou agravos à saúde com a probabilidade de sua ocorrência.
por que cada alternativa errada está errada
- Alternativa a. Mistura as duas variáveis. A chance de ocorrência pertence à probabilidade (item 1.5.4.4.5). Se a severidade fosse a da consequência mais provável, a probabilidade entraria duas vezes na conta.
- Alternativa c. A norma não manda tirar média. O verbo do item 1.5.4.4.4.1 é “selecionar”, e o que se seleciona é uma consequência, a de maior magnitude. Média esconderia justamente o pior desfecho que o inventário existe para mostrar.
- Alternativa d. O histórico de acidentes é fonte de informação, e a análise de acidentes alimenta a revisão da avaliação, mas o item não liga a severidade ao que já aconteceu. O texto fala em consequências “possíveis”: um desfecho grave que nunca ocorreu na organização continua possível.
como isso cai na prova
- “Maior magnitude” trocado por “mais provável”, “mais comum” ou “mais frequente”. É a pegadinha central, e usa o instinto de que “o que costuma acontecer” é o que importa.
- Verbo trocado. “Calcular a média”, “somar” ou “ponderar” no lugar de “selecionar”.
- “Possível” trocado por “ocorrido”. A norma olha para o que o perigo pode causar, e não só para o que já causou.
- Severidade e probabilidade embaralhadas. Alternativa que põe a chance de ocorrência dentro da severidade, ou a gravidade dentro da probabilidade.
- Excesso de zelo. Alguma alternativa pode propor a pior consequência imaginável. A norma fala em consequência possível daquele perigo, o que exclui o desfecho sem relação com ele.
a regra aplicada ao exemplo da questão
No depósito da questão, as consequências possíveis da queda de caixas formam uma escala: hematoma, corte, fratura, fratura com longo afastamento. A organização escolhe a última, desde que ela seja de fato uma consequência possível do perigo naquelas condições, com caixas pesadas e prateleira alta. Se as caixas fossem leves e a prateleira baixa, o desfecho mais grave possível seria outro, e a escolha seria outra. O que muda a resposta é a descrição do perigo, e não a frequência com que alguém se machuca.
Escolhida a severidade, falta a probabilidade, que é graduada pela chance de a lesão ocorrer e pelas medidas existentes. Um depósito com prateleira estável, carga bem acondicionada e circulação organizada pode ter severidade alta e probabilidade baixa. O nível de risco mostra essa combinação, e é por isso que as duas variáveis não podem ser misturadas na hora de escolher.
Na prática do inventário, a regra evita que o perigo grave e raro seja classificado pela consequência leve e comum. O que fazer com a probabilidade, depois de escolhida a severidade, e como a organização documenta o critério estão em o artigo sobre perigo com várias consequências e em severidade, probabilidade e o documento de critérios.
Fontes
- NR-1 — Disposições gerais e gerenciamento de riscos ocupacionais. Itens 1.5.4.4.2, 1.5.4.4.4 e 1.5.4.4.4.1
A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

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