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Relatório analítico do PCMSO: exemplo preenchido e comentado

Um exemplo fictício, com números que fecham entre si, mostra como preencher os seis blocos do item 7.6.2 da NR-07 e o que escrever na discussão com a CIPA.

·9 min de leitura·NR-7

Quem busca um exemplo de relatório analítico quase sempre já leu o que a norma manda conter e quer ver o papel pronto. Este artigo faz isso: preenche, com dados inventados, os seis blocos que o item 7.6.2 da NR-07 exige e comenta cada um. O conteúdo exigido está explicado em o artigo sobre o capítulo que fecha o ciclo do programa; aqui o foco é a forma.

Exemplo fictício

A organização abaixo não existe: é uma fábrica inventada de móveis, com 120 empregados em cinco setores. Nenhum número foi tirado de caso real, e os totais fecham entre si para que você possa conferir a conta. Copie a estrutura, nunca os números.

O médico responsável pelo PCMSO deve elaborar relatório analítico do Programa, anualmente, considerando a data do último relatório, contendo, no mínimo:
NR-07, item 7.6.2

a folha de rosto: período e data do relatório anterior

O item diz "anualmente, considerando a data do último relatório". O período, portanto, começa no dia seguinte ao do relatório anterior, e não em janeiro. No exemplo, o relatório anterior é de 30/09/2025 e este cobre de 01/10/2025 a 30/09/2026. A folha de rosto traz só o que identifica o documento: organização, período, número de empregados por setor e o médico responsável pelo programa.

SetorEmpregadosObservação do exemplo
Corte30maior exposição ao ruído do exemplo
Acabamento32maior número de empregados
Montagem28
Expedição12
Administrativo18sem exames complementares no período
Total120

O número de empregados por setor não é exigência literal do item, mas é o denominador de tudo o que vem depois. Sem ele, "3 resultados anormais" não diz se é muito ou pouco.

blocos a e b: quantos exames, de que tipo

o número de exames clínicos realizados;
NR-07, item 7.6.2, alínea "a"
Exame clínicoQuantidade
Admissional22
Periódico96
Retorno ao trabalho5
Mudança de risco ocupacional4
Demissional11
Total138

Comentário. A alínea pede o número, e o quadro dá o número aberto pelos cinco tipos de exame do item 7.5.6, o que já permite ver para onde foi o trabalho do ano. Os totais precisam bater com o controle de ASO da organização: relatório com número diferente do arquivo é o primeiro ponto que um leitor atento nota.

o número e tipos de exames complementares realizados;
NR-07, item 7.6.2, alínea "b"
Exame complementarQuantidade
Audiometria64
Exames laboratoriais previstos no programa40
Total104

Comentário. Dois tipos bastam para o exemplo. Em um programa real, a lista sai do planejamento de exames do próprio PCMSO, e cada tipo previsto lá precisa aparecer aqui, mesmo que com quantidade zero: um tipo previsto e ausente do relatório pede explicação.

bloco c: resultados anormais, por tipo de exame e por setor

estatística de resultados anormais dos exames complementares, categorizados por tipo do exame e por unidade operacional, setor ou função;
NR-07, item 7.6.2, alínea "c"
SetorExameRealizadosResultados anormaisProporção
CorteAudiometria22313,6%
AcabamentoAudiometria18211,1%
MontagemAudiometria1616,3%
ExpediçãoAudiometria800%
CorteLaboratorial8112,5%
AcabamentoLaboratorial14214,3%
MontagemLaboratorial10110,0%
ExpediçãoLaboratorial800%
TotalAudiometria + laboratorial104109,6%

Comentário. A norma pede duas categorizações ao mesmo tempo: tipo de exame e setor (ou função, ou unidade). A tabela cruza as duas. Conferência de conta: 22 + 18 + 16 + 8 = 64 audiometrias; 8 + 14 + 10 + 8 = 40 laboratoriais; 3 + 2 + 1 + 0 + 1 + 2 + 1 + 0 = 10 resultados anormais. Repare que "anormal" é o termo da alínea: o relatório conta resultados fora do esperado, e não faz diagnóstico de ninguém.

bloco d: doenças relacionadas ao trabalho

incidência e prevalência de doenças relacionadas ao trabalho, categorizadas por unidade operacional, setor ou função;
NR-07, item 7.6.2, alínea "d"
SetorCasos novos no período (incidência)Casos em acompanhamento (prevalência)
Corte13
Acabamento12
Montagem00
Expedição00
Administrativo00
Total25

Comentário. Incidência conta o que apareceu no período; prevalência conta o que existe no momento, somando casos antigos e novos. Por isso a prevalência nunca é menor que a incidência do mesmo recorte. A fonte dos casos é o prontuário, e é aí que o item 7.6.4 entra: se os prontuários anteriores não foram recebidos, a prevalência fica incompleta e o relatório precisa dizer isso (leia onde a norma manda registrar que o prontuário não chegou).

bloco e: as CAT emitidas

informações sobre o número, tipo de eventos e doenças informadas nas CAT, emitidas pela organização, referentes a seus empregados;
NR-07, item 7.6.2, alínea "e"
Tipo de eventoQuantidadeSetores
Acidente típico3Corte (2) e Montagem (1)
Acidente de trajeto1Expedição
Doença relacionada ao trabalho0—
Total de CAT emitidas4

Comentário. Os dados vêm da organização, e não do médico: a CAT é emitida pela empresa. O relatório depende, então, de a área de SST entregar a relação de CAT ao médico antes do fechamento. Quando a alínea "d" mostra casos e a alínea "e" mostra zero doença informada na CAT, vale uma linha de explicação, porque o leitor vai perguntar.

bloco f: a comparação com o relatório anterior

análise comparativa em relação ao relatório anterior e discussão sobre as variações nos resultados.
NR-07, item 7.6.2, alínea "f"
IndicadorRelatório anteriorEste relatórioVariação
Exames clínicos131138+7
Audiometrias com resultado anormal46+2
Audiometrias anormais no setor de Corte13+2
Casos novos de doença relacionada ao trabalho12+1
CAT emitidas54-1

Comentário. A tabela é a parte fácil. A alínea pede também discussão sobre as variações, e é essa a parte que costuma faltar. No exemplo, um parágrafo aceitável seria: "As audiometrias com resultado anormal passaram de 4 para 6, e dois dos três resultados do setor de Corte são novos. A variação é pequena em número absoluto, mas concentrada em um setor. Recomenda-se que os responsáveis pelo PGR verifiquem o inventário de riscos do setor de Corte e a eficácia das medidas adotadas para o agente em questão, e que o médico reavalie o grupo no próximo ciclo." O texto aponta o setor, diz o que conferir e nomeia quem confere, sem concluir nada que o dado não prove.

a página que fecha o relatório: apresentação e discussão

O relatório analítico deve ser apresentado e discutido com os responsáveis por segurança e saúde no trabalho da organização, incluindo a CIPA, quando existente, para que as medidas de prevenção necessárias sejam adotadas na organização.
NR-07, item 7.6.5

O relatório não termina na assinatura do médico. Uma última página registra data da apresentação, participantes (SST, CIPA quando existir, gestão), medidas decididas, responsáveis e prazos. No exemplo: "Apresentado em reunião ordinária; decidida a revisão do inventário do setor de Corte pelo responsável do PGR, com retorno ao médico no próximo trimestre". Sem essa página, quem audita não tem como saber se o item 7.6.5 foi cumprido.

o que copiar do exemplo e o que não copiar

  • Copie a ordem: folha de rosto, blocos "a" a "f", discussão. Quem lê encontra cada alínea na ordem do item.
  • Copie o denominador: empregados por setor e exames realizados ao lado de cada resultado anormal.
  • Não copie os números nem o setor com problema. Cada programa tem os seus, e um relatório sem variação nenhuma pode estar dizendo que ninguém olhou.
  • Não pare no mínimo se a atividade tiver norma setorial que peça mais: a NR-36 acrescenta afastamentos e queixas, e o modelo serve de referência para outros programas.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

PCMSO: diretrizes, exames, prazos e relatório analítico

Guia técnico · NR-7 · 19 páginas · PDF

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