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NR-21: trabalho a céu aberto, o que exige

A NR-21 exige abrigo, ainda que rústico, e medidas contra sol, calor, frio, umidade e vento, além de regras de alojamento e moradia. Tem 14 itens e nenhum número de temperatura.

·8 min de leitura·NR-21 · NR-9 · NR-24

A NR-21 é a Norma Regulamentadora número vinte e um, a de trabalhos a céu aberto. Ela responde a uma pergunta simples: o que a empresa deve oferecer a quem trabalha sem prédio em volta. A resposta é curta, quatorze itens de 21.1 a 21.14: abrigo contra intempéries, proteção contra sol, calor, frio, umidade e vento, cuidado com alojamento e moradia e atenção a áreas alagadiças. O texto vale para qualquer atividade ao ar livre, de obra de estrada a serviço de campo. Este artigo percorre os itens em ordem e mostra para onde ir em cada assunto.

o que a NR-21 não tem

Antes dos itens, vale saber o que não está lá. A norma não traz temperatura, tempo de pausa, tamanho de abrigo nem lista de medidas, e a palavra “calor” aparece uma única vez, no item 21.2. Ela diz o que deve existir e deixa para o gerenciamento de riscos da empresa o como e o quanto. Quem procura nela um número de graus ou de minutos de descanso não vai achar, e o lugar certo dessa procura é a avaliação do calor, mais adiante.

abrigo e medidas contra o clima: itens 21.1 e 21.2

Nos trabalhos realizados a céu aberto, é obrigatória a existência de abrigos, ainda que rústicos, capazes de proteger os trabalhadores contra intempéries.
NR-21, item 21.1

A expressão “ainda que rústicos” afasta a exigência de construção permanente e também a desculpa de que não havia como providenciar. O abrigo pode ser simples; não pode faltar, e precisa ser capaz de proteger. O segundo item nomeia cinco fatores:

Serão exigidas medidas especiais que protejam os trabalhadores contra a insolação excessiva, o calor, o frio, a umidade e os ventos inconvenientes.
NR-21, item 21.2

São cinco, e só o calor tem regime técnico detalhado em outra norma. Insolação, frio, umidade e vento ficam sob esta única linha, que exige medida sem dizer qual. Cabe à empresa descrever, no inventário de riscos da frente de trabalho, o que escolheu: onde fica o abrigo, como a água e a sombra chegam à frente, como se programa a tarefa. O detalhamento está em trabalho a céu aberto: o que a NR-21 exige, além do calor e em a norma curta que quase ninguém aplica.

calor ao ar livre: a NR-21 não é a norma da medição

A NR-21 manda proteger do calor, mas quem trata da exposição ao calor como agente é a NR-09, no Anexo III. Esse anexo prevê o caso do trabalho externo sem fonte artificial de calor: o item 3.3.2 admite, nesses ambientes e no lugar de parte das medições, uma ferramenta da Fundacentro para estimar o IBUTG, se estiver disponível. A avaliação, os níveis de ação e as medidas seguem o anexo. A relação entre as duas normas e a questão do adicional de insalubridade, que é outra, estão em calor a céu aberto: o vazio entre duas normas e calor: quando a medição é obrigatória e o que vem antes dela.

alojamento, endemias e condições sanitárias: itens 21.3 a 21.5

O item 21.3 trata de quem reside no local de trabalho: deve receber alojamento com condições sanitárias adequadas. Não é o mesmo caso da moradia entregue ao trabalhador e à família, que a norma regula adiante. O padrão do alojamento está no capítulo 24.7 da NR-24, e o das condições sanitárias em geral na mesma norma, assunto de NR-24: condições sanitárias e de conforto.

Para os trabalhos realizados em regiões pantanosas ou alagadiças, serão imperativas as medidas de profilaxia de endemias, de acordo com as normas de saúde pública.
NR-21, item 21.4

É um dos poucos pontos em que uma norma regulamentadora remete diretamente à saúde pública. É fácil esquecê-la no inventário de uma obra linear ou de uma atividade em várzea, e a palavra “imperativas” mostra que a norma não a trata como opção. O item 21.5 fecha o primeiro bloco: os locais de trabalho devem ser mantidos em condições sanitárias compatíveis com o gênero de atividade.

moradia fornecida pelo empregador: itens 21.6 a 21.14

Os nove itens finais tratam da moradia, na hipótese de o empregador fornecê-la ao empregado e à família, e formam o trecho mais específico da norma. O item 21.6 exige condições sanitárias adequadas, e o subitem seguinte é categórico:

É vedada, em qualquer hipótese, a moradia coletiva da família.
NR-21, item 21.6.1
ItemO que a moradia deve ter ou respeitar
21.7Capacidade dimensionada pelo número de moradores; ventilação e luz direta suficientes; paredes caiadas e pisos de material impermeável
21.8Local arejado, livre de vegetação e afastado no mínimo 50 m de depósitos de feno ou esterco, currais, estábulos, pocilgas e viveiros de criação
21.9Portas, janelas e frestas com dispositivos capazes de mantê-las fechadas quando necessário
21.10Poço de água protegido contra a contaminação
21.11Cobertura de material impermeável, imputrescível e não combustível
21.12Pelo menos um dormitório, uma cozinha e um compartimento sanitário
21.13Fossa a pelo menos 15 m do poço e 10 m da casa, em lugar livre de enchente e a jusante do poço
21.14Privadas arejadas, limpas e protegidas contra insetos, ratos, animais e pragas

Dois itens merecem leitura literal, por serem os que mais geram dúvida de medida:

Toda moradia disporá de, pelo menos, um dormitório, uma cozinha e um compartimento sanitário.
NR-21, item 21.12
As fossas negras deverão estar, no mínimo, 15,00m (quinze metros) do poço; 10,00m (dez metros) da casa, em lugar livre de enchentes e à jusante do poço.
NR-21, item 21.13

Atenção para o campo de aplicação: na atividade rural, o item 31.2.1.1 da NR-31 manda aplicar, em regra, somente o que a própria NR-31 dispõe, e por isso a fossa e a moradia seguem as regras dela. A diferença de metros e o que decide qual norma vale estão em fossa, poço e curral: a NR-21 mede em metros, a NR-31 mede diferente.

como levar a NR-21 para o PGR

Como a norma não dá número, a prova de cumprimento é documental e de campo. Algumas perguntas ajudam a registrar o que a empresa fez em cada frente de trabalho a céu aberto:

  • onde está o abrigo, a que distância da frente e do que ele protege (sol, chuva, vento, frio);
  • como o abrigo acompanha a frente quando ela muda de lugar;
  • quais medidas especiais do item 21.2 foram escolhidas para cada um dos cinco fatores;
  • se há trabalhador que reside no local e, se há, onde fica o alojamento e como é sua condição sanitária;
  • se a obra ou o serviço passa por região pantanosa ou alagadiça e que medidas de profilaxia foram adotadas com base nas normas de saúde pública;
  • se a empresa fornece moradia, quem a inspecionou contra os itens 21.7 a 21.14 e quando.

O trabalho a céu aberto aparece em muitos setores, e cada um tem a sua porta. Um exemplo é o cemitério, em que a quadra é céu aberto, o jazigo pode ser espaço confinado e a exumação tem norma própria: veja o caso do sepultador.

Onde a NR-21 é lembrada tarde demais

Frente de obra linear, serviço de campo, montagem ao ar livre e manutenção de rede têm em comum a ausência de prédio, e por isso se supõe que não há requisito. Há: o abrigo é obrigatório nos trabalhos a céu aberto, pelo item 21.1, e a ausência dele não se justifica, porque a própria norma já aceita a solução mais simples. A conversa com o trabalhador na frente costuma revelar mais do que o papel da sede: onde ele se abriga da chuva, de onde vem a água, e o que acontece quando a frente muda de lugar.

o que mudou

A NR-21 é uma das normas mais estáveis do conjunto. O cabeçalho do texto consolidado traz a publicação original, a Portaria MTb nº 3.214, de 8 de junho de 1978, e uma única atualização, a Portaria MTE nº 2.037, de 15 de dezembro de 1999, publicada em 20/12/1999. A conferência foi feita em 25/09/2026 e não há ato posterior. A norma não tem anexos nem glossário.

Fontes

A norma vigente e sempre a publicada pelo Ministerio do Trabalho e Emprego. Este texto comenta a exigencia — nao a substitui, e nao vale como parecer para caso concreto.

Este assunto tem um guia em PDF

Normas setoriais: quando a específica se soma à geral

Guia técnico · NR-18, NR-31 e NR-32 · 19 páginas · PDF

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